10. CULTURA 10.4.13

1. TELEVISO - UMA NOVA FORMA DE VER TEV
2. LIVROS - AS GAROTAS QUE FIZERAM A BOMBA
3. CINEMA - O MRCIO GRACIA DE L E DAQUI
4. EM CARTAZ - LIVROS - A BABEL DE J.M.COETZEE
5. EM CARTAZ  MSICA 1 - INDITA DE CHICO BUARQUE
6. EM CARTAZ  CINEMA - AS INCERTEZAS DO AMOR
7. EM CARTAZ  TEATRO - RECEBENDO MISS DAVIS
8. EM CARTAZ  MSICA 2 - ELE DESBANCOU DAVID BOWIE
9. EM CARTAZ  AGENDA - DESAPARECIMENTO DO ELEFANTE/PANTANAIS/UM OLHAR SOBRE O BRASIL
10. ARTES VISUAIS - ESPELHO MEU

1. TELEVISO - UMA NOVA FORMA DE VER TEV
O impacto das mdias digitais sobre a produo cultural est criando novas opes de programao e mudando o hbito dos telespectadores, que assistem s atraes at no carro
Michel Alecrim

A sala de tev est ficando vazia e o motivo no  a qualidade da programao. Se antes a famlia se reunia para assistir  novela do horrio nobre ou  atrao de domingo, agora  cada vez maior o nmero de pessoas que veem o seu programa favorito no aparelho mais prximo das mos: celular, laptop, tablet ou at GPS. E isso no se limita apenas  grade da tev aberta. Com o impacto das novas mdias, toda uma produo est sendo feita especialmente para essas plataformas digitais. Nada a ver com os vdeos caseiros veiculados nos primrdios do YouTube, portal que soma 40 milhes de usurios s no Brasil e, hoje, abriga diversos canais com mais de um milho de visitantes. O Netflix, servio digital que se lanou como provedor de vdeos on demand (locao de filmes online),  um dos que apostam pesado na criao de contedo exclusivo para o novo formato, como a websrie House of Cards, considerada a primeira superproduo para a internet (custou US$ 100 milhes). Estrelado por Kevin Spacey e dirigido por David Fincher, o programa de 13 episdios est disponvel em 40 pases. Essa mudana j se reflete na produo nacional. O portal Terra, por exemplo, veicula com sucesso as sries Onda Zero e ApocalipZe, premiadas pelo LA Webfest, em Los Angeles. O modo de ver televiso est mudando, afirma Paulo Gregoraci, vice-diretor operacional da agncia WMcCann. E, pelo ritmo, no ser mais o mesmo.
 
A exemplo dos criadores do programa de humor Parafernalha, abrigado pelo YouTube e que tem equipe e estdio prprios, o comediante carioca Felipe Neto contabiliza milhes de acessos no mais popular portal de vdeos.  mais um dos que investem no pblico que prefere a mobilidade dos gadgets digitais  tela tradicional.
 
Ao escolher entre a tev e a internet, fiquei com a internet, por acreditar que era o futuro. Mas vejo que j  o presente, diz Neto, que abriu mo de um quadro no Esporte Espetacular, da Rede Globo, para produzir exclusivamente para a rede. Sua estrutura no  amadora: rene 35 pessoas.

Rompendo o clich de que a web  o paraso da piada fcil, em Belo Horizonte, a produtora Cinemarketing, do diretor Guto Aeraphe, apostou na fico cientfica com o seriado ApocalipZe, que ser exibido em Marselha (Frana), em outubro, junto com Onda Zero, de Flvio Langoni. Nossos custos ainda so baixos, entre R$ 25 mil e R$ 30 mil por episdio. Mas em pouco tempo teremos uma sofisticao parecida com a da televiso, afirma Aeraphe.
 
O diretor mineiro negocia a exibio de seu programa no Netflix, onde as produes online ganham espao. Contudo, outros servios digitais de streaming (podem ser vistos, mas no baixados) esto no ar, como o Now, o Telecine Play, o HBO Go, o Crackle e o Muu, da Globosat, que disponibilizou a srie Extras, estrelada por Ben Stiller e Kate Winslet. Apesar do alto investimento em contedo, a predominncia, especialmente tratando-se de quadros de humor,  de vdeos curtos, entre 10 e 15 minutos. Isso facilita a exibio nas telas pequenas de celulares e tablets. A estudante carioca Paula de Castro Andrade, 24 anos, por exemplo, v comdias feitas para a internet no seu iPad, deitada na cama antes de dormir. Ganho tempo no assistindo aos intervalos. Essa mudana de hbitos j  uma realidade. O niteroiense Ary Reis, 27 anos, fez assinatura do portal da Globo para assistir  programao da emissora no celular na hora que quiser. Prefiro assistir aos programas enquanto almoo. Na casa do estudante de engenharia carioca Alexandre Schettini, 23 anos, a tela da tev pode virar monitor do computador quando ele quer ver uma srie que baixou da rede. S uso o aparelho de televiso eventualmente, afirma.

Para fazer frente  concorrncia, as emissoras abertas pretendem se beneficiar com a entrada nos lares brasileiros das tevs de alta definio com acesso  internet. A expectativa no mercado  de 60% no aumento de vendas este ano, mas a ideia  um casamento das mdias e no uma guerra. A Globo, que tem 4,5 milhes de seguidores no Twitter e um milho no Facebook, acaba de lanar o aplicativo de celular com_vc, para o pblico comentar nas redes sociais. A mania do compartilhamento, alis,  o outro lado da revoluo, e no se trata de fico cientfica imaginar que, num futuro prximo, vai existir uma uma nova televiso feita pelo prprio internauta  s que assistida apenas por seus amigos.


2. 
As garotas que fizeram a bomba

Livro revela como mulheres participaram, sem saber, do enriquecimento do urnio que serviria s ogivas nucleares lanadas sobre o Japo na Segunda Guerra Mundial
 Aina Pinto



Assista ao depoimento de Denise Kiernan e confira tambm imagens dos testes atmicos feitos no deserto americano:
 


  
 

EFICINCIA
 As trabalhadoras controlavam os reatores nucleares: elas no
 tinham ideia de que estavam ajudando a fazer a bomba atmica
 
Com dois irmos servindo o Exrcito americano e ainda a obrigao de pedir permisso  me para trabalhar, uma jovem de 24 anos conseguiu emprego como secretria no Projeto Manhattan, do governo federal, em Nova York. L, recebeu uma proposta de transferncia: ganharia um aumento para ajudar em algo que colocaria fim  Segunda Guerra Mundial, em curso h quatro anos, desde 1939. Com a autorizao da famlia, ela seguiu rumo ao desconhecido. Ao desembarcar em Oak Ridge, Tennessee, foi carregada no colo pelo motorista porque no queria pisar na lama. Naquele momento, a jovem que se recusava a estragar os sapatos novos comeava a tomar parte em uma experincia que resultaria no extermnio de milhares de pessoas. Ela no tinha ideia de que as correspondncias que digitava tratavam de algo to importante. Nem ela nem os outros milhares de mulheres que tm suas histrias narradas no livro The Girls of Atomic City  The Untold Story of the Women Who Helped Win World War II (As Garotas da Cidade Atmica  A Histria No Contada das Mulheres que Ajudaram a Vencer a Segunda Guerra Mundial, em traduo livre), escrito pela jornalista Denise Kiernan.
 


Recm-lanada nos EUA, a obra conta como jovens do pas inteiro foram recrutadas para as mais diversas funes no Site X, onde passariam a morar e a trabalhar em um dos trs complexos do Clinton Engineer Works. Cada um deles usava tcnicas diferentes para enriquecer o urnio a ser enviado ao Site Y, no Novo Mxico, onde cientistas construam as ogivas. Com os homens lutando na guerra ou trabalhando para outros setores da indstria blica, elas participaram da empreitada motivadas pelos bons salrios e pelo sentimento patritico. Escrito em captulos segmentados que aos poucos revelam o que acontecia por trs das cercas de arame farpado, com a formao de uma estranha estrutura social, o livro tem ares de realismo fantstico, num misto de boa literatura com pesquisa histrica reveladora.
 
As trabalhadoras comearam a chegar ao Site X em 1943. De faxineiras a cientistas, elas eram maioria no local, mas proibidas de alugar casas  coisa que s os homens podiam fazer  e tinham de viver em pequenos dormitrios. Mesmo que a ordem fosse de tratamento igualitrio, negros viviam em alojamentos, sem direito a visitas.
 

TOQUE FEMININO
 A autora Denise Kiernan retrata a histria de cientistas
 a faxineiras que trabalharam no Projeto Manhattan
 
Havia mulheres em posies importantes, como a estudante recm-formada que dava aula de princpios bsicos de qumica s outras e depois foi promovida a trabalhar no laboratrio. Mas muitas vinham da zona rural e tinham apenas o ensino mdio. Especialistas em enriquecimento de urnio, todos com Ph.D., ensinavam como controlar as alavancas de um grande painel  os reatores nucleares. E elas se saam melhor que eles prprios, executando o trabalho com maior agilidade.
 
O Site X chegou a ter 75 mil trabalhadores. O hospital, criado com 50 leitos, ficou insuficiente para os mais de 300 pacientes. Homens e mulheres comearam a apresentar os sintomas da radiao, mas a pressa para pr fim  guerra era maior que o interesse em estudar as consequncias daquilo para o corpo humano. Quando a primeira bomba foi lanada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, o presidente americano Harry Truman agradeceu pelos esforos de Santa F, no Novo Mxico, e Oak Ridge, no Tennessee. S ento as pessoas comearam a entender o que tinham feito ali.


2. LIVROS - AS GAROTAS QUE FIZERAM A BOMBA
Livro revela como mulheres participaram, sem saber, do enriquecimento do urnio que serviria s ogivas nucleares lanadas sobre o Japo na Segunda Guerra Mundial
 Aina Pinto

EFICINCIA - As trabalhadoras controlavam os reatores nucleares: elas no tinham ideia de que estavam ajudando a fazer a bomba atmica
 
Com dois irmos servindo o Exrcito americano e ainda a obrigao de pedir permisso  me para trabalhar, uma jovem de 24 anos conseguiu emprego como secretria no Projeto Manhattan, do governo federal, em Nova York. L, recebeu uma proposta de transferncia: ganharia um aumento para ajudar em algo que colocaria fim  Segunda Guerra Mundial, em curso h quatro anos, desde 1939. Com a autorizao da famlia, ela seguiu rumo ao desconhecido. Ao desembarcar em Oak Ridge, Tennessee, foi carregada no colo pelo motorista porque no queria pisar na lama. Naquele momento, a jovem que se recusava a estragar os sapatos novos comeava a tomar parte em uma experincia que resultaria no extermnio de milhares de pessoas. Ela no tinha ideia de que as correspondncias que digitava tratavam de algo to importante. Nem ela nem os outros milhares de mulheres que tm suas histrias narradas no livro The Girls of Atomic City  The Untold Story of the Women Who Helped Win World War II (As Garotas da Cidade Atmica  A Histria No Contada das Mulheres que Ajudaram a Vencer a Segunda Guerra Mundial, em traduo livre), escrito pela jornalista Denise Kiernan.

Recm-lanada nos EUA, a obra conta como jovens do pas inteiro foram recrutadas para as mais diversas funes no Site X, onde passariam a morar e a trabalhar em um dos trs complexos do Clinton Engineer Works. Cada um deles usava tcnicas diferentes para enriquecer o urnio a ser enviado ao Site Y, no Novo Mxico, onde cientistas construam as ogivas. Com os homens lutando na guerra ou trabalhando para outros setores da indstria blica, elas participaram da empreitada motivadas pelos bons salrios e pelo sentimento patritico. Escrito em captulos segmentados que aos poucos revelam o que acontecia por trs das cercas de arame farpado, com a formao de uma estranha estrutura social, o livro tem ares de realismo fantstico, num misto de boa literatura com pesquisa histrica reveladora.
 
As trabalhadoras comearam a chegar ao Site X em 1943. De faxineiras a cientistas, elas eram maioria no local, mas proibidas de alugar casas  coisa que s os homens podiam fazer  e tinham de viver em pequenos dormitrios. Mesmo que a ordem fosse de tratamento igualitrio, negros viviam em alojamentos, sem direito a visitas.

TOQUE FEMININO - A autora Denise Kiernan retrata a histria de cientistas a faxineiras que trabalharam no Projeto Manhattan
 
Havia mulheres em posies importantes, como a estudante recm-formada que dava aula de princpios bsicos de qumica s outras e depois foi promovida a trabalhar no laboratrio. Mas muitas vinham da zona rural e tinham apenas o ensino mdio. Especialistas em enriquecimento de urnio, todos com Ph.D., ensinavam como controlar as alavancas de um grande painel  os reatores nucleares. E elas se saam melhor que eles prprios, executando o trabalho com maior agilidade.
 
O Site X chegou a ter 75 mil trabalhadores. O hospital, criado com 50 leitos, ficou insuficiente para os mais de 300 pacientes. Homens e mulheres comearam a apresentar os sintomas da radiao, mas a pressa para pr fim  guerra era maior que o interesse em estudar as consequncias daquilo para o corpo humano. Quando a primeira bomba foi lanada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, o presidente americano Harry Truman agradeceu pelos esforos de Santa F, no Novo Mxico, e Oak Ridge, no Tennessee. S ento as pessoas comearam a entender o que tinham feito ali.


3. CINEMA - O MRCIO GRACIA DE L E DAQUI
O cineasta brasileiro  um diretor a mais no mercado dos EUA, mas filmar em Los Angeles e exibir no Brasil o seu trabalho tem uma grande vantagem: o status hollywoodiano que o pblico leva a srio
 Antonio Carlos Prado e Mariana Brugger

O brasileiro Mrcio Garcia  cineasta. Nada mais coerente, ento, por estratgia ou acaso, que ele carregue em sua vida artstica um efeito especial  fazer filme nos EUA. Embora l ele seja apenas um jovem diretor a mais no mercado independente, isso deu-lhe fama no Brasil: aqui, Garcia  considerado um bem-sucedido profissional que conquistou Hollywood. Sua histria teve tambm reviravoltas, pendulando entre o heri e o anti-heri, como se fosse ele prprio o personagem de um enredo. Fez sucesso na Rede Globo como ator, bandeou-se para a Rede Record porque queria arriscar a trilha de apresentador, mas retornou  Globo com a promessa de ganhar um programa somente seu. O sonho ficou no papel, nunca se concretizou, e foi a que ele partiu para os EUA. Acertou. Agora, com o status de internacional, o cineasta lana aqui o seu segundo filme estrangeiro  e isso d certo tom. Chama-se Angie, entra em cartaz na sexta-feira 12 e tem no elenco nomes de peso, como Camilla Belle, Andy Garcia, Juliette Lewis e as consagradas atrizes brasileiras Christiane Torloni e Carol Castro. Angie se passa em seis cidades dos EUA e em Vitria (ES). Detalhe: custou US$ 3 milhes, valor irrisrio nos parmetros do cinema americano, mas bem considervel no Pas.

DICAS - Andy Garcia quis saber tudo que o diretor fazia e deu palpites na rea tcnica
 
Valer-se da grife de cineasta que faz filme nos EUA no desmerece em nada o trabalho de Mrcio Garcia  muito pelo contrrio, no  nada fcil disputar na base do cotovelo um lugar entre os independentes. H de se ter talento. Por outro lado,  claro que essa mesma grife sempre causa certo burburinho  afinal, para quem vinha se exibindo somente em pequenas participaes na televiso brasileira, emplacar um filme hollywoodiano d para si prprio e para os outros a sensao de vitria. O passaporte de Garcia para os estdios de Los Angeles foi o curta-metragem Predileo, dirigido por ele em 2009, que trata de um mirabolante assalto a banco. Ganhou prmios e, com a ajuda do produtor israelense Uri Singer, o diretor pisou o mercado internacional.  ele quem tem todos os contatos nos EUA, diz Garcia. A dificuldade de captar recursos no Brasil me faz continuar filmando no Exterior. O Garcia diretor agradece, no novo filme, ao Garcia ator os conselhos recebidos: Ele participou de tudo. Angie desembarca em 100 salas e, se fizer sucesso, o pblico brasileiro dir que o Mrcio Garcia daqui chegou l. Mas o chegar l, nos EUA, bem sabe o prprio cineasta,  um duro enredo.  


4. EM CARTAZ - LIVROS - A BABEL DE J.M.COETZEE
por Ivan Claudio

Nascido em uma famlia africnder (descendentes de holandeses e alemes) na Cidade do Cabo, o escritor J.M. Coetzee falava ingls apenas em casa. O aprendizado em duas lnguas causou-lhe um desconforto sempre presente em suas obras. Esse sentimento de estranhamento da Babel contempornea  o mote de A Infncia de Jesus (Companhia das Letras), novo romance do autor que vem ao Brasil para duas conferncias, nos dias 15, em Curitiba, e 18, em Porto Alegre. O livro acompanha a histria de um grupo de estrangeiros que atravessa o mar em busca de nova oportunidade, pagando por isso com o esquecimento da vida anterior e a obrigao de aprenderem um novo idioma, o espanhol. As dvidas e as insatisfaes so retratadas na figura de Simon, estivador que cuida de um garoto de cinco anos, entregue aos seus cuidados aps um acidente.
 
+5 Livros do autor
Desonra
 Adaptado para o cinema (foto), narra a vida de um professor universitrio que cai em desgraa ao ter um caso com uma aluna
 
Vida e poca de Michael K
 Um rfo vaga em sua realidade miservel at anular-se e no deixar rastros de sua vida
 
Infncia
 Primeiro volume da trilogia de fico autobiogrfica, fala do crescimento de um garoto introspectivo e solitrio em uma sociedade violenta
 
Homem Lento
 Um fotgrafo perde a perna em um acidente. Em meio a crises de desesperana e resignao, apaixona-se pela enfermeira
 
Dirio de Um Ano Ruim
 Um renomado autor escreve suas opinies sobre temas da atualidade  de conflitos tnicos a economia globalizada


5. EM CARTAZ  MSICA 1 - INDITA DE CHICO BUARQUE
por Ivan Claudio
Wilson das Neves conseguiu roubar a cena de Chico Buarque, no ltimo show do compositor quando cantaram juntos Tereza da Praia. Ele  tambm o amigo que conseguiu uma indita de Chico: Samba para Joo, parceria dos dois em homenagem ao bisneto de Das Neves. Est no quarto disco solo do sambista, Se Me Chamar,  Sorte. O lbum tem ainda msicas de Paulo Csar Pinheiro, Delcio Carvalho e Nelson Sargento.


6. EM CARTAZ  CINEMA - AS INCERTEZAS DO AMOR
por Ivan Claudio

O amor no  apenas um sentimento,  uma culpa, prega o padre interpretado por Javier Bardem em Amor Pleno, novo filme de Terrence Malick. As incertezas da f e do amor pairam sobre a histria de Neil (Ben Affleck), que se apaixona pela francesa Marina (Olga Kurylenko) e a leva para viver nos EUA. A relao no vai bem e Neil se reaproxima da namorada de juventude, Jane (Rachel McAdams), enquanto Marina conhece o padre com dvidas sobre sua vocao.


7. EM CARTAZ  TEATRO - RECEBENDO MISS DAVIS
por Ivan Claudio

Bette Davis e Eu  uma comdia baseada em fatos reais ocorridos em maio de 1985 com a escritora Elizabeth Fuller. Uma noite, uma amiga chegou para jantar trazendo como companhia ningum menos que Bette Davis  que, por acaso, acabou passando dois meses na casa de Elizabeth. Nesse encontro, falou sobre a prpria vida e narrou histrias de bastidores: nas filmagens de Quem Matou Baby Jane?, foi necessrio um set especial imitando praia porque Joan Crawford exigia que a temperatura ficasse a 21. Estava cheia de birita, eis o porqu, diz na pea, interpretada pelo ator Wilson dos Santos. A direo  de Alexandre Reinecke e est em cartaz em So Paulo, no Teatro Renaissance.


8. EM CARTAZ  MSICA 2 - ELE DESBANCOU DAVID BOWIE
por Ivan Claudio

No mercado da msica pop americana, dominado por rappers e mulheres que segauiram a trilha de Madonna, Justin Timberlake  uma espcie de mistura dos dois estilos. Seu novo lbum, The 20/20 Experience, tirou David Bowie do primeiro lugar das paradas britnicas. Nem mesmo as longussimas faixas, como Pusher Love Girl, de quase nove minutos de durao, impediram o sucesso. O disco, terceiro solo depois de seis anos, vendeu quase um milho de cpias em apenas uma semana nos EUA.


9. EM CARTAZ  AGENDA - DESAPARECIMENTO DO ELEFANTE/PANTANAIS/UM OLHAR SOBRE O BRASIL
conhea os destaques da semana

DESAPARECIMENTO DO ELEFANTE 
 (SESC Pinheiros, So Paulo, at 5/5) 
Pea baseada em contos de Haruki Murakami. Tem direo de Monique Gardenberg e Michele Matalon
 
PANTANAIS 
 (Teatro do Centro Acadmico Escola de Minas Gerais, Ouro Preto, dia 12)
 Paulo Simes, gravado por Maria Bethnia, apresenta-se na mostra sobre cultura pantaneira
 
UM OLHAR SOBRE O BRASIL
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 21/4)
 Exposio de 300 fotos que contam 170 anos de histria, de 1833 a 2003


10. ARTES VISUAIS - ESPELHO MEU
Espectador  absorvido e integrado  obra do dinamarqus Olafur Eliasson, em sua primeira individual no Brasil
por Paula Alzugaray

Olafur Eliasson  Your Orbit Perspective/Galeria Luisa Strina e Galpo Fortes Vilaa, SP/ at 25/5

NARCISO - Visitante participa de "Vanishing Reflection" (acima) e "Your Aurora Borealis Particle" (abaixo)

Em Your Orbit Perspective  a primeira individual de Olafur Eliasson no Brasil, dividida entre a galeria Luisa Strina e o Galpo Fortes Vilaa, em So Paulo , o artista entrega ao pblico brasileiro o prazer de se engajar s iluses luminosas. Em duas instalaes e uma srie de objetos, Eliasson usa com maestria seu conhecimento sobre luz e espelhos para fazer com que o visitante tenha uma experincia cinemtica em seu mais profundo sentido platnico.  possvel brincar com sombras, reflexos, com o desaparecimento da prpria imagem e com a autorreconstruo de imagens caleidoscpicas. Em suma, trata-se de uma experincia muito prxima  de penetrar em uma caverna e deixar que o olhar seja levado em devaneio.
 
Na galeria Luisa Strina, uma srie de delicados objetos mbiles flutuam no ar, deixando-se refletir por outros objetos redondos e especulares, completando-se e orbitando uns aos outros, compondo um sistema harmnico, animado e constelar. Orquestram-se nesse conjunto efeitos pticos e luminosos que, no raro, integram o espectador que passeia pela sala, espelhando-o e absorvendo-o por completo. Esta exposio celebra um ponto de vista em contnua mutao: nossa capacidade de ver o planeta inteiro como um ecossistema, afirma Eliasson.

SILHUETAS - Em "Your Uncertain Shadow", sombras so sobrepostas, criando diferentes tons de cinza
 
O ecossistema orbital de Eliasson tem continuidade no Galpo Fortes Vilaa, onde so mostradas duas instalaes imersivas. Your Aurora Borealis Particle (Sua partcula de aurora boreal) explicita os modos intimistas com que o artista se engaja em provocar a percepo. Tambm suspensa, a obra  composta por uma srie de espelhos com filtros coloridos onde a imagem  esfacelada de acordo com a posio do visitante. J no trabalho Your Uncertain Shadow (Sua sombra incerta), a sombra do espectador  multiplicada por um jogo de luzes e projetada contra uma parede branca. Como efeito resultante, uma escala de tons de cinza em movimento faz do visitante o protagonista de uma experincia cinemtica.
 
As obras expostas em So Paulo incorporam esses tipos de movimento: o slido diluindo-se em no slido, cor passando para ausncia de cor, bidimensional transformando-se em tridimensional. Ao movimentar-se de uma sala para outra, voc comea a ponderar sobre como sua perspectiva emerge, como seu ponto de vista realiza o espao, continua ele. Mas  em Your Roundabout Movie (Seu filme giratrio) que se nota que o pano de fundo de toda exposio  mesmo a magia do cinema, isto , a iluso da imagem em movimento. Na obra, dois objetos retangulares  um vazado de cor vermelha e um slido de cor verde  so projetados sobre uma tela suspensa no centro da sala, em rotao.  medida que giram, os objetos se tornam um s, graas a um efeito ptico.

DUPLA FACE - Em "Your Roundabout Movie", jogo de luzes faz com que dois objetos se transformem em tela similar  de cinema
 
Ao se referir  natureza da viso, da iluso e da representao, e ao lembrar-nos que o olhar  sempre a soma do real com o imaginrio, Olafur Eliasson mostra por que  hoje um dos grandes nomes da arte internacional. H dez anos, o artista celebrizou-se com a instalao The Weather Project, que fez uso de uma gigante fonte luminosa como representao de um pr do sol na Turbine Hall do museu Tate Modern, de Londres. Em 2008, voltou  escala monumental com a New York City Waterfalls, um projeto pblico que criou uma cachoeira artificial de 5.900 metros quadrados sob a ponte do Brooklyn. A viso do mundo desde uma perspectiva em movimento e a conscincia da terra e suas mudanas climticas desde uma tica ecolgica esto entre as contribuies de Eliasson  reflexo sobre seu tempo.
 
Colaborou Nina Gazire


